Apr 7, 2012

#77

Tá difícil conter as lágrimas, viu? Agora é um daqueles momentos em que eu vou lembrar pra sempre. Meu ônibus sai a meia noite e agora são 10:02, eu cheguei aqui na Union Station às 8:30 e tô super ansiosa. Com medo? Demais. Mas mais ainda ansiosa. Vou chegar em Nova York as 4:40 da manhã, pegar o trem e ir pra casa da Raíra, que vai me hospedar até terça.

Amanhã tem show na city pra ir, do Andrew W. K., e durante o tempo livre, passear por aí. Terça as 7:30 da noite eu pego meu vôo pro Brasil. Vou ficar algumas muitas horas em Guarulhos (8 horas pastando) pra pegar meu voo pra Goiânia. Ninguém além de dois amigos meus sabem que eu tô indo, mas nenhum pode me buscar no aeroporto, então provavelmente eu devo pegar um táxi e aparecer na porta de casa... Tô louca pra ver a reação dos meus pais, e a minha também. Vou ficar até a próxima quarta lá, devo passar uns 2 dias em Belo Horizonte pra ver minha amiga que mora lá (e que sabe que eu tô indo) e volto pra Goiânia pra pegar meu voo de volta.

Não sei bem do que eu tô com medo, se é de gostar tanto de estar de volta que eu não vou mais querer voltar, se é medo de perceber que a minha casa não é mais minha casa, enfim, não sei. Medo de tá tudo do mesmo jeito e eu ter mudado tanto que não dou mais a mesma importância pras coisas. Medo de ver que tem tanta gente sentindo minha falta que eu fico triste de nao poder traze-los comigo.

Nao sei... medo.

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Cheguei! Tô aqui no Brasil! E tendo um dos sentimentos mais estranhos, não sei. Eu sinto que eu não pertenço mais aqui, tô super rabugenta e louca pra voltar pra minha vidinha nos states. Claro que eu associo isso ao fato de não ter dormido NADA no vôo, então o que eu preciso é cama mesmo. Além disso acho que não dá pra associar "gente de aeroporto", que tá tudo morto de cansado, com a população em geral. Mas o blog é meu então acho digno eu postar as MINHAS impressões da terrinha.

Mas vamos começar do começo... No domingo eu peguei meu bus meia noite e não preguei o olho durante a viagem. O bus parou em Baltimore e depois na Philadelphia (e eu acordadona, sentada no primeiro banco, vi a cidade toda e cheguei a conclusão que nem faço questão de ir lá) e finalmente, New York. Chegamos lá 4:56 e eu fui a pé pra Penn Station (andei cerca de 6 ruas) e fui comprar o ticket do trem pra casa da Raíra, que me recebeu de muita boa vontade lá em Long Island. O ticket era pra 5:47 e eu fiquei lá sentada esperando dar a hora. Uma hora depois, tava descendo em Syosset. Meu celular tava sem bateria desde o dia anterior e eu esperei uns 10 minutinhos na estação, até ela aparecer.

Chegando na casa dela, ela me mostrou o quarto dela e o quarto de hóspedes que eu iria ficar, daí conversamos um pouquinho e eu capotei. Acordei às 10 porque ela tinha que ir pra NYC pegar o visto canadense dela, eu fui com ela pra já ficar direto pro show que eu ia às 7pm, do Andrew W. K. Enquanto ela foi no consulado eu fiquei lá fora esperando, daí fomos comer uma pizza no Famiglia, que tem altas fotos de famosos que visitaram lá, super famosinha a pizzaria. Aí ela voltou pra casa pra trabalhar e eu fui pro Central Park dormir (juro, hahaha).


Mas nem dormi, fiquei lá sentada moscando e observando as pessoas, morrendo de dor nos pés (maldita bota!) e com muito sono. Quando deu umas 5pm eu peguei o metrô, fui pra Chambers Street, andei até o City Hall e peguei o metrô pra rua 14, e o show era na rua 11. Achei o lugar, andei até achar uma Starbucks (eu e minha dor de barriga que só me aparece em NYC, impressionante) e voltei pra fila... que fila? O local (Webster Hall) tinha entrada por um pub, todo mundo entrou no pub e um tempo depois entramos no local do show. Eu achei um sofázinho e lá fiquei durante quase 2 horas, assistindo as 2 bandas que tocaram no começo (horrorosas) e só levantei quando meu mocinho entrou no palco.


Gente. Gente. Que show foi aquele. MELHOR SHOW DA MINHA VIDA (eu sempre falo isso, né?) Primeiro que ele tocou TODAS as músicas do meu CD favorito, segundo que o show não foi show, foi uma festa. Ele puxou um monte de fãs pro palco, abraçou um monte de gente, foi uma bagunça. Quis morrer porque tava no fundo e com minha mochila, mas não sei se eu teria coragem de subir anyway. Daí quando o show acabou ia rolar uma after party com ele, free. Mas eu tava muito morta então resolvi ir pra casa. Peguei o trem 11:00 e a Raíra me buscou na estação por volta de meia noite. Capotei na cama de novo, né?


Daí terça a gente foi na CVS comprar umas coisinhas de páscoa pras duas fofinhas dela, pausa pra fofa que escreveu Chicken Marshmallow e a gente ficou louca procurando o que diabos era isso, até que a moça nos ajudou e trouxe uma caixinha com 6 ou 8 (não lembro) pintinhos amarelinhos de marshmallow. Então tá né? Fomos almoçar num restaurante chinês super delícia, com um pessoal super de bom humor trabalhando lá (not) e depois voltamos pra casa dela, eu tomei banho e ela me levou na estação de trem.

Desci em Jamaica e eles tem um Air Train pro JFK, $5 só. Peguei e desci na estação 4, que é aonde a TAM fica. Fui pra fila do check-in, a moça super simpática, levei minha mala pra despachar e fiquei moscando até a hora de entrar no avião. Peguei um assento na janela, fiquei super feliz! Durante o vôo eu assisti um monte de filmes que agora eu esqueci quais foram, hahaha. Cheguei aqui em Guarulhos às 6 e pouco am e tô aqui super a toa, meu vôo pra Goiânia é as 2 da tarde. Já dormi, já comi açaí (horrível e caro (13 reais), mas melhor que fast food e eu tava seca por açaí), tô morta de sono, meu pé não me pertence mais, tô com saudade de "casa" e com saudade de falar em inglês. No vôo eu automaticamente respondia os comissários em inglês, ai eles respondiam de volta em português e eu ficava com aquela cara de tacho.



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Ainda são meio dia e meia e meu vôo sai em duas horas. Ao menos eu já entrei no salão de embarque, e claro, o wifi não funciona. Li no kindle o tempo inteiro, cochilei, comi no Mc Donald's (só um Quarterão com Queijo, 5 reais.) Achei tudo tão caro que nem compensa pegar a promoção. Sério, o Angus que eu pego por $8 a promoção, aqui tava 25 reais. Acho que o choque foi maior do que eu esperava, e ok, vai ser lindo ver meus pais e minhas amigas, mas eu não consigo mais morar aqui. Se com 6 horas de Brasil eu já tô pirando, pensa no meu estado se eu tiver que morar aqui pra sempre forever? Acho lindo quem depois de terminar o programa volta, constrói uma carreira e tudo, mas não é pra mim. Podem me chamar de metida e esnobe, mas só eu sei a sensação de estrangulamento que eu passo aqui.

Principalmente depois de seis meses morando fora, eu tô prestando atenção em cada detalhezinho "bobo". Tipo as pessoas comendo e não esvaziando as bandejas, deixando na mesa. Uma moça que pos a cadeira pro kid ficar em pé EM FRENTE ao caixa de um fast food e não tirou. Deve tá lá até agora, a cadeira. Na escada rolante não rola aquela organização de direita-parado, esquerda-andando. Até mesmo o sincronismo das pessoas andando, todo mundo acha que tá certo e quem tem que desviar é o outro. Sem cortesia nenhuma. Os funcionários, quando eu fui perguntar em qual portão eu deveria embarcar (meu ticket tava confuso), me respondendo com falta de educação ou então chamando a fulana pra me ajudar. Duas pessoas vieram me pedir uma "ajudinha" com dinheiro.

E o mais estranho (pelo menos pra mim) é ouvir português o tempo todo. Eu tô pensando em inglês, quando alguém fala comigo eu preciso parar e pensar na frase em português. Quando eu tô nos usa e ouço português eu fico toda empolgadinha, adoro. Mas agora que eu tô aqui SÓ ouvindo português, tá me dando uma aflição sem limites. Eu liguei pro Bobby pra avisar que eu cheguei e me deu uma coisa tão boa de estar falando em inglês de novo. Acho que isso é um bom sinal, né? Até dos meus fofinhos eu tô com saudade, hahahahah.

Não, e o desfile de moda que é esse aeroporto? No JFK tinha cada "mendigo", todo mundo mulambento e confortável, que é a coisa mais lógica. Mulherada de cabelo pra cima, moletom e tênis, todo mundo de boa. Cheguei aqui e já perdi as contas de quantas mulheres de salto (finíssimo), maquiagem impecável, e nem é arrumada tipo "mulher de negócios" (que tinha no JFK tbm, claro). É do tipo shortinho + blusinha costas de fora + salto alto e escova no cabelo. Sabe. Pra quê?? Eu ia vir de calça jeans, mas pensei melhor e pus uma das calças que eu uso pra trabalhar, de moleton. O foda é que ela tá com um furo na bunda (podem cruxificar: eu trouxe pra minha mãe costurar, HAHAHAHHA), daí pus minha saia por cima, uma blusa preta básica e a (maldita) bota. E minha mochila, e gente, é isso. Agora aqui eu me sinto maior mulambenta (e claro que levei VÁRIOS olhares de reprovação).

Acho melhor parar esse post por aqui, senão fico com fama de rabugenta, hahahaha. Mas gente, dêem um desconto pra pessoa aqui, eu tô há 25 horas sem dormir, toda dolorida e com fome (porquê o estomâgo tem que acostumar com a comida daqui de novo, né?). Pra melhorar, o avião faz escala em Brasília e vai ficar 1 hora parado lá. Além disso tudo, tô ansiosíssima pra chegar no aeroporto de Goiânia, pegar o táxi e bater no portão lá de casa. O iPhone descarregou, mas eu vou tentar por o 3DS pra gravar a reação dos meus fofuxos quando abrirem o portão.

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Gente, hoje já é sábado, tô em casa e já vi quase todo mundo, mas depois eu venho aqui contar como foi a reação (que eu não consegui filmar) e tudo o mais, que agora eu vou é aproveitar meus pais, hahaha! Beijo :D

5 comments:

  1. AHHHHHHHHHHH, parou na melhor parteeeee!!
    #todoschora

    Te Amo! APROVEITAAAAA!!!!!!!!!

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  2. ai muito show tudo isso! depois que a gente vê um país de primeiro mundo, é difícil acostumar com as partes ruins do BRA. Mas, o povo daqui do BRA é besta mesmo, repara tanto aparência, num sei pra quê.
    Agora a parte de deixar as bandejas na mesa, eu gosto :P

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  3. hahahahahah to aproveitandoooooooooo, te amo!!

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  4. hahaha realmente, posso contar nos dedos quem nao me olhou de cara feia por causa do jeito que eu tava vestida hahaha

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  5. HAHAHAHHAHAHAHA ri muito lendo as coisas.


    Imagino que eu vá sofrer do mesmo 'mal' que você, porque eu já tenho essas impressões do Brasil sem nem mesmo conhecer os EUA.

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