Dec 12, 2011

#53

Vim falar de um assunto meio tristinho... a tal da saudade, palavra que ninguém além de brasileiros, conhece. Saudade é diferente de homesick, na minha opinião. Saudade não te faz detestar tudo por aqui igual a homesick faz, quando ataca é pior que tpm. É só uma dorzinha que bate lá no fundo e que as vezes, nem você percebe de começo - quando vai ver, já tá machucando o coração.

Desde que eu cheguei aqui, eu não tive a "tal" da homesick. Claro que tem dias que eu olho em volta e penso "que que eu to fazendo aqui?". Aí eu levanto a cabeça e me lembro dos meus objetivos, do que eu quero pra minha vida e me convenço que não é pra sempre. Mesmo sendo uma babá temporariamente, eu sou feliz aqui, de verdade. Agradeço a Deus todos os dias por estar vivendo a vida que eu sempre quis - claro que não era meu "sonho" ser au pair, mas uma coisa paga a outra -, e mais ainda, agradeço pela family que ele me "emprestou". Mas querendo ou não, tem dias que eu acordo querendo a minha cama, o meu quarto rosa que eu tanto dizia ter enjoado, os meus pais na sala conversando e me acordando e meus cachorros fazendo escândalo no portão.

Host family não é a nossa família, isso todo mundo tá careca de saber. Por aqui eles tentam - e eu também -, fazer com que a gente seja o mais próximo possível de uma família. Eu me sinto a filha do meu host, principalmente depois que eu comecei a namorar, pq eu vi o quanto ele é protetor e preocupado. Mas isso não significa que é 100% bom, pq a gente tem nossas "estranhezas" por conta do namorado. E as vezes ele fala demais, se intromete demais, e eu preciso ficar repetindo na minha cabeça que ele não é meu pai. Sorte que os dois garotos são homens, pq se meu host tiver uma menina, tá lascado! hahaha. Mas ao mesmo tempo eu me sinto protegida "até demais" e as vezes não gosto muito dele. Mas como não preciso vê-lo sempre, é tranquilo e dá pra lidar.

Por outro lado, meu relacionamento com a host mom é maravilhoso, eu me sinto confortável 100% ao redor dela e sei que podemos conversar sobre tudo. Então ela é mais amiga do que "mãe". Ela me trata muito bem, nunca mudou desde que cheguei aqui, é um doce comigo e com meus amigos. É o tipo de pessoa com coração bom, que sempre quer ajudar todo mundo. E é super educada, tudo que ela me pede é com "por favor" e sempre agradecendo no final.

O boy de 4 anos eu tenho como um irmão, e ele me tem como a irmã mais velha também. Ele anda numa fase bem rebelde em que eu preciso falar trinta mil vezes alguma coisa, mas ainda assim eu vejo o quanto apesar de me irritar, eu o amo. E ele faz questão de me deixar saber que ele me ama também, sempre com um gesto fofo de carinho.

E o baby, bom, esse eu tenho como filho, me sinto orgulhosa a cada coisinha nova que ele faz todos os dias, seja conseguir segurar a mamadeira sozinho, ou levantar o corpinho pra frente. Já me apeguei demais a ele e só Deus sabe o quanto eu vou sofrer quando tiver de deixá-lo - e eu sei que ele também vai, porque a cada domingo quando eu volto pra casa, eu vejo o tamanho do sorriso que ele abre ao ouvir minha voz!

Mas mesmo tendo uma host familly de fazer invejinha branca em muita gente, mesmo tendo um namorado pra me deixar chorar no ombro de vez em quando, mesmo tendo minhas amizades lindas aqui dos US me fazendo companhia sempre que possível - destaque especial pra Su que sempre se faz presente - eu ainda tenho saudades. Saudades que nem eu achei que eu ia ter, já que eu sou bem feliz aqui. E aí a saudade fica tão grandona que vira homesick bem de levinho - saudade de sentar no banquinho da faculdade com uma das minhas melhores amigas e conversar besteira o dia todo sem ter preocupação, saudades de ir pra casa da minha outra melhor amiga pra fazer nada, saudades de viajar pra Minas pra ir visitar a outra melhor amiga. Dessas 3 eu sinto saudades diariamente - é só ver algo que me lembre delas, ouvir uma música, e eu já estou alí com os olhinhos cheios de lágrimas.

E a saudade de casa então? Por mais que eu ame morar aqui, as vezes eu queria estar lá na minha casinha, ouvindo meu pai assistindo o jornal e minha mãe jogando no computador. E meus cachorros latindo. E nesses dias só o que eu quero fazer é ir embora. Aí vem o skype me ajudar a fazer pequenas surpresas - como por exemplo, usar os créditos que eu ganhei fazendo reserva no hostelworld.com pra ligar pra casa e ouvir meu pai soltar uma exclamação de surpresa na hora que viu que eu tava ligando. Ou ligar no trabalho da minha mãe na hora do almoço e ficar fofocando com ela, lembrando dos tempos que eu fazia a mesma coisa - mas ligando do telefone da minha casa. Ou igual hoje, que eu fiz 2 surpresas em 1: liguei pra Minas e pra Goiania, ouvi minha amiga chorando na hora que viu quem era no telefone. Momentos como esses que fazem valer a pena lembrar do Brasil. ♥

5 comments:

  1. Ai que lindo Larissa... senti suas palavras lá no fundo e consegui até sentir o q vc ta sentindo... já vai pra 3 meses q vc ta aí né? E minhas suspeitas estavam corretas.. Deus preparou msm um ano maravilhoso de au pair com uma familia maravilhosa... vc merece muito isso pq vc é uma pessoa maravilhosa. Se algum dia vc voltar pro Brasil, vai trazer com vc uma bagagem enorme de maturidade e conhecimento q vai dar invejinha de todas as cores em todo mundo (invejinha Restart kkkkk)
    Firme aí viu? Logo vc volta a ser a Larissa durona q a gnt conhece rsrsrs.

    Muitos beijos lindona!!

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  2. Saudades tem. Sempre tem. Mas saudade faz crescer. E quando a saudade apertar, procure o que fazer. Uma atividade, um programa, um filme, qualquer coisa. Mas se mexa. É a melhor maneira de não cair no "jogo". 

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  3. Aai minha Larizinha linda!!! Eu adorei o teu texto!!
    Eu acho que ainda nao tive homesick tambem. Apesar de nao ter uma familia como a tua, eu sempre quis estar aqui. As coisas que acontecem me deixam triste sim. Acho que ai eh quando mais bate a saudade... Mas ai eu vou la pro facebook. E desabafo com voces. hehehe Sehrio. Voce e a Fe... Sao meu porto seguro!! As vezes voces nao estao nem online e eu to la escrevendo (vai dizer, sou a que mais escrevo heein) ja me sinto bem... Que alguem vai me ouvir, me entender, me consolar...
    E voces sabem que podem contar comigo TAMBEM!!!
    Find maravilhoso com a tua presenca!! E semana que vem tem mais. ;)

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  4. Nosssaaa mas isso acontece taaaanto Lari. Vcs ainda vao cansar de mim :( hehe

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  5. Tadinha da minha filhinha.....

    Sem saber que vc tava assim, no domingo a tarde eu sonhei que cheguei em casa e vc estava deitada na sua cama. Eu levei um susto e ao mesmo tempo fiquei admirada, pq sabia que vc estava aí, mas, também estava aqui. Era como se existissem duas Larissas.

    Nós nos abraçamos muito e eu te dei mil beijinhos e fiquei o tempo todo te perguntando: Como pode isso???? Vc está aqui e a outra Larissa está lá, vc vai poder fazer as mesmas coisas aqui também???

    Eu ficava te vigiando, com medo de vc sumir, acredita? Acordei aos prantos, com uma dor no coração tão forte... Foi aí que conheci a tal  "dor da saudade". Seu pai tentou me consolar e me convidou para dar um passeio no Parque Flamboyant, foi ótimo, mas em cada pedacinho do parque eu lembrava de você. Das vezes que fomos lá, e você, como toda criança, (só que grande) queria TUDO. Pipoca, água de coco e depois ainda queria que eu passasse em algum lugar para vc comer alguma coisa gostosa, lembra?

    Voltamos pra casa e no caminho comemos um "Divininho", eu estava tão triste que nem queria fazer nada na cozinha.

    Agora já levantei a cabeça e estou "tocando em frente". Ainda falta muito tempo para eu te ver pessoalmente e nós treis juntos (eu, seu papai e você) vamos conseguir segurar esta saudade, a recompensa virá, pode ter certeza, tá bom?

    Nós te amamos e queremos que vc curta cada segundo vivido aí, afinal, vc está realizando o seu sonho, não deixe que nada te atrapalhe. Sempre que sentir saudade lembre-se que tudo passa. Se um dia você voltar para o Brasil, com certeza irá sentir saudade deste momento que está vivendo.

    Um milhão de beijinhos da mamãe que te ama para sempre.

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